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sábado, 19 de junho de 2010

gil

Cinema e cegueira– Fernando, estou tão feliz por ter visto esse filme como estava quando acabei de escrever o livro.




– Mesmo? O senhor não sabe como isso me deixa feliz.



Ao final da sessão privada de Ensaio Sobre a Cegueira, em Lisboa, a reação emocionada de José Saramago parecia tirar um enorme peso das costas do cineasta brasileiro Fernando Meirelles. Era maio de 2008, e o filme tinha sido exibido dias antes, sob grande expectativa, na abertura do Festival de Cannes, onde dividiu as opiniões da crítica.



A Meirelles só importava o que Saramago iria pensar. Conseguir do escritor o aval para a adaptação havia sido uma longa negociação. Saramago considerava seu livro infilmável, argumentando não haver sentido em ilustrar com imagens uma história sobre a cegueira.



Ironicamente, no final dos anos 1990, logo após a publicação do livro Ensaio Sobre a Cegueira no Brasil, Meirelles já havia tentado a adaptação para o cinema. Saramago, ainda sem saber quem era aquele diretor que ficaria mundialmente famoso com Cidade de Deus, disse não. Mas as tais curvas do destino fizeram o projeto voltar a Meirelles em 2005, pelas mãos de um produtor canadense. Saramago, enfim, havia sido dobrado pala ideia de que sua obra não ganharia um olhar hollywoodiano que transformasse a distopia apocalíptica em filme de terror comum.



Ensaio Sobre a Cegueira não teve boa carreira nos cinemas e foi ignorado nas premiações. Para Meirelles, porém, o afago e a aprovação de Saramago ao final daquela sessão especial, cena que correu o mundo pelo YouTube, foi o mais sincero importante reconhecimento que poderia receber.

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