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domingo, 1 de agosto de 2010

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Com nova lei do lixo, Brasil pode deixar de perder R$ 8 biFoto: Divulgação/Tetra Pak Instalação de unidade de reciclagem que recebe incentivo da Tetra Pak

Helton Simões Gomes
brasil@eband.com.br
“Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. A máxima de Lavoisier, que resume a lei de conservação de massas, pode também sintetizar a aposta da Política Nacional de Resíduos Sólidos na reciclagem e no reaproveitamento de materiais. E não é para menos. Um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Aplicada) mostrou que o Brasil perde R$ 8 bilhões por ano ao não reciclar o resíduo antes de encaminhá-lo a um aterro ou lixão. “A indústria tem grande interesse em receber esse material porque é mais barato do que o extraído da natureza”, explica Gustavo Luedemann, um dos autores da pesquisa.

Atualmente, com reciclagem de apenas 12% do material disponível, a “atividade já geraria benefícios entre R$ 1,4 bilhão e R$ 3,3 bilhões anuais”, estima o estudo. “[A nova lei] Vai fazer com que o fabricante não precise retirar insumos da natureza novamente para produzir um novo item”, declara Sérgio Gonçalves, diretor de Ambiente Urbano do MMA (Ministério do Meio Ambiente). “Antes de pegar o petróleo para produzir uma garrafa pet, o produtor terá que reaproveitar ao máximo todas as garrafas pet que já existem. A lei induz a isso fortemente”, exemplifica.

Para chegar aos R$ 8 bilhões desperdiçados, o Ipea colocou na balança não só os recursos econômicos diretamente envolvidos na produção, mas também os ativos ambientais despendidos. Do lado econômico entra os gastos com insumo, que poderiam ser enxugados com o emprego de materiais recicláveis. A conta também considera a economia com água e energia elétrica. A utilização dos recicláveis liberaria maior espaço em aterros, atrasando a abertura de novos depósitos.

Do lado ambiental, pesam a extração mineral e a exploração vegetal. A reutilização reduziria as subtrações de matéria-prima para confecção de novos produtos. Diminui também a emissão de gases do efeito estufa. Aqui, os pesquisadores consideraram o valor cobrado por créditos de carbono para converter o volume de gás em dinheiro. Luedemann explica que, mesmo sem metas para cortar a emissão destes gases fixada pelo Protocolo de Kyoto, o Brasil perde em vantagem competitiva. “Perde no poder de barganha nas negociações internacionais e perde os compradores que querem manter uma linha mais verde”, comenta.

Coleta seletiva

“O catador é o elo entre o que pode ser reutilizado na cadeia industrial e o que vai ser aterrado”, pontua Luedemann. A nova lei destinará recursos do governo para que este trabalhador se profissionalize. Além disso, será responsabilidade das empresas criar cadeias de produção mais sustentáveis. Com isso terão que elaborar produtos recicláveis e fazer o recolhimento. Antes mesmo de a lei ser sancionada, já existe empresas que fazem isso.

Produzindo cerca de 90% de todas as embalagens cartonadas, a TetraPak já utiliza materiais recicláveis há 15 anos. Além disso, a empresa ajuda cooperativas a instalarem oficinas de processamento e instalou postos de coleta seletiva em supermercados. “Somente 25% das pessoas tem acesso à coleta. Com a implantação da nova lei, esse número vai duplicar”, projeta Roberto Von Zuben, diretor executivo de meio ambiente da Tetra Pak.

Outra iniciativa da empresa foi a criação do Portal Rota da Reciclagem, um site com abrangência nacional para o internauta identificar a cooperativa mais próxima de sua casa. O paulista pode acessar ainda outro endereço com a mesma função. O e-lixo permite que o usuário pesquise um local que seja especializado no material a ser descartado.

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