Ex-policial suspeito de matar Eliza Samudio fica calado em depoimento
Mais três suspeitos - Elenilson Vitor da Silva, Wemerson Marques de Souza e Flávio Caetano de Araujo - devem ser interrogados, mas também foram orientados por advogados a ficar em silêncio
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Agência Estado
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O ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, também conhecido como "Bola", suspeito de matar Eliza Samudio, ex-amante do goleiro Bruno Fernandes Souza, do Flamengo, continua sendo interrogado pela polícia no fim da tarde desta segunda-feira (12), no Departamento de Investigações de Belo Horizonte, em Minas Gerais. "Bola" foi orientado por seu advogado, Zanone Manoel de Oliveira Júnior, a permanecer calado durante todo o depoimento. Mesmo assim, ele está na sala, a portas fechadas, desde o início da tarde, segundo a Polícia Civil.
Mais três suspeitos de envolvimento - Elenilson Vitor da Silva, Wemerson Marques de Souza e Flávio Caetano de Araujo - devem ser interrogados ainda nesta segunda. No entanto, sob orientação de seus advogados, também devem ficar em silêncio.
Boletim médico
A Secretaria de Estado de Defesa Social de Minas Gerais divulgou o boletim médico do goleiro Bruno, que passou mal na manhã de domingo (11), no presídio de segurança máxima Nelson Hungria, em Contagem (MG), onde ele está detido.
De acordo com o boletim, Bruno "se apresentou tranquilo, consciente, alerta, orientado, queixando-se de tosse e gripe" e que sentina vertigens e náuseas. O boletim ainda informa que o atleta "aderiu a tratamento para gripe, de acordo com prescrição médica, e recebeu medicação." O documento é assinado pela médica do Sistema Penitenciário Cláudia Sueli da Rocha.
Entenda o caso
Eliza Samudio desapareceu no dia 4 de junho. O último contato conhecido dela foi com a advogada Anne Faraco, que acompanhava o reconhecimento da paternidade do filho de quatro meses que dizia ser de Bruno Fernandes, à época goleiro e capitão do Flamengo. Eliza avisou no telefonema que iria a Minas Gerais encontrar o jogador, pois ele havia concordado em fazer um exame de DNA.
Nos meses anteriores, a modelo tinha levado à imprensa do Rio de Janeiro a notícia de que estava grávida de Bruno. A criança teria sido concebida no primeiro encontro dos dois em um churrasco em maio de 2009, quando o atleta já era casado com Dayanne Souza.
Em outubro, Eliza denunciou ter recebido ameaças de Bruno, que pressionava para que abortasse a criança. A Justiça determinou que o atleta mantivesse, pelo menos, 300 metros de distância dela.
Quando o bebê nasceu, em fevereiro deste ano, a ex-amante passou a negociar as condições para que Bruno assumisse a paternidade. Ela batizou a criança com o mesmo nome do jogador. Um mês depois, ela foi ao Rio e enviou uma mensagem para sua advogada: "Estou no mesmo hotel que fiquei aquela vez, se acontecer algo, já sabe quem foi". O advogado do jogador rejeitou o acordo proposto por ela na ocasião.
Em 24 de junho, a Delegacia de Homicídios de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, onde ficava o sítio de Bruno, recebeu uma denúncia de que Eliza havia sido levada para o local, onde teria sido assassinada. Foi quando as polícias fluminense e mineira começaram as buscas por Eliza.
Dois dias depois, a mulher do jogador, Dayanne, foi autuada “por subtração de incapaz” por ter entregado filho de Eliza a uma amiga.
Na segunda-feira (28 de junho), a polícia de Minas Gerais fez as primeiras buscas no sítio do atleta. No dia seguinte, a perícia encontrou vestígios de sangue no carro de Bruno, retido por falta de licenciamento em uma blitz no dia 8 do mesmo mês. Mais tarde, um exame mostrou que se tratava do sangue de Eliza.
A testemunha-chave do caso, um adolescente de 17 anos, que é primo do goleiro, apareceu em 6 de julho e confirmou ter participado do seqüestro de Eliza, ao lado de Luiz Henrique Romão - mais conhecido como “Macarrão”, que era funcionário de Bruno.
O menor de idade disse que ambos levaram a mulher para o sítio do jogador e que, de lá, ela havia sido entregue ao traficante e ex-policial civil Marcos Aparecido do Santos, conhecido também como “Bola”, “Paulista” e “Neném”, na cidade de Vespasiano, na Grande Belo Horizonte. Ele seria o responsável pela morte de Eliza, por estrangulamento.
O adolescente disse ainda que o traficante desmembrou a mulher e deu as partes do corpo dela para que cachorros comessem. Segundo a polícia de MG, Bruno teria acompanhado a entrega de sua ex-amante ao criminoso e presenciado o assassinato.
Bruno, sua esposa e Macarrão, além de mais cinco pessoas envolvidas no crime, tiveram sua prisão preventiva decretada após o encerramento do depoimento do adolescente, no dia 6 de julho.
O jogador e seu funcionário já foram indiciados pela polícia do Rio pelo sequestro ocorrido em junho deste ano e, pelo Ministério Público do Rio (MP-RJ), por sequestro, cárcere privado e lesão corporal, por conta do incidente de 2009, onde teriam tentado forçar Eliza a abortar a criança que ela carregava.
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