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sexta-feira, 4 de junho de 2010

Com frio e compromissos, moradores de Soweto 'esnobam' a seleção


Daniel Gallas



Enviado especial a Johanesburgo







Muitas crianças foram ver a chegada da seleção (foto: Daniel Gallas)

Era para ser um dia histórico da seleção brasileira em Soweto, o bairro de Johanesburgo conhecido mundialmente como centro de resistência ao regime segregacionista do apartheid na África do Sul.



Nesta quinta-feira, pela primeira vez na história, a seleção pentacampeã treinou no bairro pobre e predominantemente de negros de Johanesburgo. O bairro também é considerado o "coração" do futebol sul-africano, já que é um dos lugares onde o esporte é mais popular no país.



No entanto, o treino da seleção foi acompanhado por poucos torcedores. O estádio, com capacidade para oito mil pessoas, nunca chegou a um terço da lotação. Duas horas depois do começo do treino, boa parte dos torcedores já havia deixado o estádio.



Moradores de Soweto deram à BBC Brasil motivos diferentes para a ausência de público. Alguns disseram que já tinham outros compromissos e só passaram para olhar rapidamente o trabalho de jogadores como Kaká, Robinho e Luís Fabiano.



Os moradores só ficaram sabendo que o Brasil treinaria no bairro na manhã desta quinta-feira. Outros reclamaram do frio que começou a fazer no fim da tarde.



Empolgação



O treino do Brasil desta quinta-feira foi marcado em Soweto pela Fifa e não pela CBF. A Fifa exige que cada seleção realize ao menos um treino aberto em estádio na África do Sul.





Johannah diz que não acreditou quando ouviu a notícia (foto: Daniel Gallas)

No começo da manhã, houve euforia em Soweto quando uma rádio local deu a notícia de que a seleção treinaria à tarde no bairro.



"Eu estava ouvindo rádio enquanto fazia faxina e não acreditei na notícia", disse à BBC Brasil, a dona-de-casa Johannah Modisakeng, de 35 anos.



Os moradores do bairro disseram à BBC Brasil que houve correria para os pontos de distribuição dos ingressos para o treino. Alguns ficaram mais de cinco horas na fila para conseguir os ingressos, que eram gratuitos.



Às 15h30 da tarde (10h30), quando o ônibus da seleção chegou ao estádio Dobsonville, houve correria de vários jovens curiosos para ver a seleção. Ao redor do estádio uma multidão, na maioria formada por crianças e adolescentes de Soweto, se formou para assistir ao treino, que começou com um aquecimento dos torcedores.



"É muito bom ver o Kaká e o Robinho treinarem. Pena que não veio o Ronaldinho Gaúcho", disse à BBC Brasil o estudante Sechapa Lesiea, de 22 anos.



Frio



No entanto, uma hora depois do começo do treino, várias pessoas começaram a deixar o estádio e a curiosidade de ver a seleção parecia ter passado em Soweto.





Muitos deixaram o estádio após uma hora de treino (Foto: Daniel Gallas)

O estudante universitário Sega Mashiloane, que assistiu parte do treino, disse que muitos amigos seus ficaram sabendo muito em cima da hora sobre a ida da seleção a Soweto e que não conseguiram mudar seus planos. O próprio estudante deixou o estádio antes do fim do treino porque já tinha outro compromisso.



Já Peter Matsapola, estudante que matou aula na universidade para ver o treino da seleção, deu outro motivo para ir embora cedo.



"Estou com frio. Está muito frio hoje. Acho que é por isso que tem tanta gente indo embora", disse Peter.



Com o estádio esvaziado, a seleção passou dos treinos físicos para um recreativo com bola.



Soweto, bairro pobre com quase 2 milhões de habitantes no sul de Johanesburgo, é considerado um dos pontos-chave na campanha contra o regime que segregava negros e brancos na África do Sul, sendo palco de uma revolta de estudantes, em 1976.



Personalidades sul-africanas conhecidas internacionalmente - como Nelson Mandela, Desmond Tutu e Steven Biko - foram moradores de Soweto.gil

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