Pesquisar este blog

domingo, 24 de janeiro de 2010

Pampulha enfrenta infestação de mosquito da dengue


Luciane Evans - Estado de Minas

Publicação: 23/01/2010 07:51 Atualização: 23/01/2010 08:13

Região de casas grandes, quintais verdes e 7 mil lotes vagos, a Pampulha enfrenta um desafio: o controle da dengue. É nos bairros arborizados próximos ao cartão-postal de Belo Horizonte que está a maior infestação do mosquito. De acordo com o Levantamento de Índice Rápido de Infestação por Aedes aegypti (Liraa), divulgado nesta semana, a Região da Pampulha tem hoje média de 5,9% de presença do mosquito transmissor da doença (veja quadro), ou seja, a cada 100 imóveis, em média 5,9 têm o inseto. O número supera o índice de 4,2% da capital, percentual considerado como passível de surto pelo Ministério da Saúde. Em alguns bairros, o índice já é o mesmo de cidades com epidemia declarada.

É o caso do Santa Terezinha, onde, literalmente, mora o perigo. De acordo com a Regional Pampulha, o Liraa do bairro foi de 10%, ou seja, a cada 100 imóveis, 10 têm focos do mosquito. Além dele, registraram índices elevados os bairros Dom Orione e Itamarati (8,8%), Santa Rosa e Padre Maia (7,3%). O Santa Amélia, que no ano passado promoveu uma série de ações para combater a doença, conseguiu reduzir a infestação para 2,9%, a menor da região.

Saiba mais...
Focos de dengue dentro das casas preocupa Sete Lagoas
Montes Claros registra 500 casos de dengue em janeiro
PBH traça estratégia para enfrentar a dengue
Epidemia de dengue bate às portas de BH “As pessoas só vão se conscientizar quando perderem alguém da família”, afirma Denise Cândida de Oliveira, que em 2008 perdeu a irmã de 48 anos com dengue, na Região da Pampulha. “Hoje tenho pânico dessa doença, que a gente só conhece quando vê de perto as suas garras”, diz. De acordo com ela, sua irmã começou a ter febre alta, manchas pelo corpo e a perder sangue. “Ela passou por dois hospitais e teve uma parada cardíaca no último”, lamenta Denise.

Pedro Mercedes, de 72 anos, confessa ter horror só de mencionar o mosquito. “Além de mim, minha filha teve a forma hemorrágica e quase morreu”, lembra. O maior temor de Pedro atualmente é que em frente à sua casa lotérica no bairro há uma casa abandonada há mais de um ano. “Aqui, certamente é foco de dengue e uma ameaça às nossas vidas”, alerta.

O imóvel jogado às traças está na esquina das ruas Jordelino Alves e João Donada, no Santa Terezinha. A casa é cercada de muros, o mato alto já avança para a rua e, dentro do lote, há material de construção espalhado. Além de tijolos e cimento, há garrafas PET e vasos sanitários quebrados. Bem próximo dali, a preocupação dos moradores é com um ferro-velho repleto de sucata. Mas, para o proprietário, Gregório Maziazeno, não há risco. “Aqui dentro não tem dengue, tenho certeza. Se eu tivesse condição de ter um teto para cobrir esse local, faria isso, mas não tenho, por isso fica a céu aberto. Mas risco não há”, garante.

De acordo com a coordenadora de Zoonoses da Regional Pampulha, Márcia Maria Dellacqua Machado, o ferro-velho é vistoriado com frequência pelos agentes da prefeitura. “Mas o ideal é que houvesse um tipo de cobertura no espaço”, destaca. A regional enfrenta outros problemas, como a dificuldade de acesso a 8 mil dos 56 mil imóveis da região.

Segundo a regional, são vistoriados, por dia, 25 imóveis na área. Em relação aos 8 mil fechados, Maria Machado explica que há imóveis a que os agentes não têm acesso por vários motivos: moradores que trabalham o dia inteiro e não são localizados, aqueles que estão viajando ou espaços que estão à espera de locação. “Há também estabelecimentos que não permanecem abertos durante todo o dia, como templos ou casas noturnas. Outro exemplo são os imóveis sob disputa judicial (embargados durante processo de partilha)”, afirma.

Na avaliação da secretaria, esse tipo de situação demonstra a complexidade da vistoria no combate ao Aedes aegypti, pois dificuldades como essas representam, em média, de 15% a 20% da rotina diária de um agente. Para mudar essa situação, são pregados comunicados na entrada das casas, informando sobre a visita do agente e solicitando o agendamento para novo horário. Essa providência obtém êxito em mais de 80% dos casos, garante a secretaria.

Em casos extremos, esgotadas todas as possibilidades, e após notificação da Vigilância Sanitária, é feita a entrada forçada nos imóveis. Em toda a cidade, nove notificações já foram emitidas pela secretaria, este ano, para controle e combate à dengue. Em um deles, o proprietário teve que pagar mais de R$ 6 mil de multa.

Nenhum comentário:

Postar um comentário